Com o boom dos brinquedos eróticos na pandemia, mulheres se sentem mais à vontade em explorar o próprio prazer

Por Gabriela Jucá
01/07/2021 10:31

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O ano passado não foi fácil e marcou as nossas vidas com a chegada da pandemia. Para quem é brasileira e vive nesta terra, 2021 vai se desenrolando como um 2020 – parte 2, porém, com elementos de horror ainda mais bizarros, como um país sofrendo com esquemas e colapsos no sistema de saúde por uma doença que já existe vacina. A impressão que dá é que estamos vivendo um filme mal dirigido, com roteiro mirabolante e que parece não ter fim. Em suma, o Brasil está e continua lascado.


Nesse contexto, é preciso se distrair. Não é para ignorar o que está acontecendo no mundo e nem para se entreter participando de aglomerações. A necessidade de um deleite é uma estratégia para todas nós nos voltarmos para dentro. Vem do autocuidado e do zelo com a própria saúde que, mais do que nunca, precisa ser cultivada.


Ok, onde você quer chegar com isso?


Pois bem, sem mais rodeios. Para muitas, a sugestão do dia vai ser mais satisfatória do que uma rotina de cuidados com a pele, melhor que tomar uma vitamina proteica e mais eficaz que um livro de autoajuda: Maria, que tal experimentar uns brinquedinhos eróticos?


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Brinquedinhos: escolha seu estímulo preferido e relaxe. Foto: Pexels


No Brasil, os brinquedos eróticos registraram recordes de venda durante a pandemia. Só para vocês terem uma noção, foram comercializados 1 milhão de vibradores durante o período de quarentena, número 50% maior que no mesmo período de 2019, conforme demonstrou o levantamento realizado pelo Portal Mercado Erótico. 


Esse resultado acompanha a tendência mundial do avanço desse mercado, que prospecta uma taxa de crescimento anual de 8,04% de 2021 a 2028, segundo um relatório da Grand View Research.


Os números que acabamos de citar servem para termos uma dimensão do quão grandioso está se tornando esse nicho que, em um passado não tão distante, era repleto de tabus e costumava ser discutido, com informações restritas, às escondidas.


O uso intensificado de brinquedos eróticos serve também para comprovar que se foi o tempo em que sexo se resumia à penetração do pênis na vagina. Além da ideia comportar uma perspectiva falocêntrica, em que se tem a convicção que sem o pênis nada é possível, ela também é distante da realidade das preferências femininas em busca do descobrimento do próprio país, que, em vez de irem em busca de um sex toy para penetrá-las, elas vão em busca da autonomia do próprio prazer, selecionando brinquedos que possam estimulá-las, tanto no ponto G, como no clitóris.



Quem Vende


Nós conversamos com a Isadora Fadini, de 23 anos, que vende brinquedos eróticos. Ela passou a investir na venda desses produtos em 2020, em meio à pandemia, quando precisou se afastar do emprego por questões de saúde. 


A Isadora vende vibradores, dildos, bullets, estimuladores clitorianos, produtos para masturbação peniana, produtos para sexo anal, lubrificantes, lingeries e géis e óleos corporais para massagem. Quando perguntada sobre o produto mais vendido, ela responde, sem hesitar: “Os bullets, que são vibradores voltados para o estímulo clitoriano e em tamanho menor do que um vibrador como o que conhecemos. A saída é muito grande”, ressalta.


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Práticos e discretos, vibradores do tipo bullet são sucesso de vendas. Foto: Pexels


Ela relata que já vendeu para homens (cis), mas as mulheres são as que mais procuram pelos produtos, em especial mulheres cis lésbicas e bissexuais, que costuma ter como clientes fiéis. O sex shop da Isadora, que realiza as vendas por meio das redes sociais, tem como direcionamento o público LGBTQIA+. “Tenho o interesse pessoal de incluir mais produtos voltados para pessoas trans. Packers, que homens trans costumam usar, calcinhas de aquendar para mulheres trans, por exemplo”.


Para a empreendedora, as vendas estouraram, principalmente, na época de festas de fim de ano, quando as pessoas compravam os produtos para presentear alguém, ou, para se presentear com novas sensações.


No momento, ela conta que está com as vendas um pouco paradas – além do empreendimento, Isadora também estuda e tem outro emprego. No entanto, ela não pretende parar e já tem planos em vista para alavancar as vendas. “É um mercado muito bom. Faço amigos e tenho a oportunidade de trocar ideias sobre gênero e sexualidade com eles. Encontrei nesse meio uma forma de me reinventar e a experiência tem sido ótima”, salienta Isadora.



Quem usa


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Foto: Pexels


Há quem diga que os brinquedos sexuais se tornaram tão essenciais quanto um celular na vida da mulher moderna. Quem é adepta das carícias vibratórias, garante que a decepção não tem vez – a não ser que a bateria do dispositivo acabe abruptamente na hora H.


Três jovens mulheres, de etnias e vivências completamente distintas, compartilharam relatos sobre o uso de brinquedinhos no dia-a-dia. Prazer acima de tudo, autoconhecimento acima de todos. 


Jeny Passos tem 27 anos, é mãe solo e boleira. Antes de descobrir o mundo dos brinquedos adultos, ela conta que não tinha tanto costume de praticar a masturbação, a famosa siririca, por pura preguiça. Para ela, os vibradores abriram o caminho do sucesso para apimentar a vida sexual, tanto sozinha, quanto acompanhada. “Quando estou sozinha, meus preferidos são vibradores tipo rabbit, que ao mesmo tempo penetram e estimulam o clitóris. Acompanhada, gosto do plug anal, é uma delícia! ”, relata.


Como muitas mulheres, Jeny adentrou o mundo dos apetrechos sexuais de tanto ouvir relatos positivos das amigas e adquiriu o primeiro utensílio em 2016. “De lá para cá, já foram mais de 5 vibradores diferentes e uma vida sexual muito mais livre. ” Quando indagada sobre o uso no período da pandemia, em que impera a máxima do isolamento social, ela é enfática: “Usei tanto que quebrou, o que me levou a adquirir outros dois que nunca tinha experimentado. Realmente, há males que vem para o bem”.


Para a boleira, o uso do vibrador é um marco na autonomia do prazer feminino. “É sobre liberdade! Você escolhe que hora do dia quer ter prazer, onde quer, qual potência, quais movimentos, no que quer pensar...enfim! É um momento de autocuidado. ”


Ativa sexualmente desde adolescente, Maya Oh* (nome fictício) é uma estudante e designer de 20 anos. Ela já era adepta da masturbação desde os 15 anos, mas nunca teve muita curiosidade em buscar por outros elementos, digamos que, extra-humanos, para potencializar o prazer. Hoje, a realidade já é outra. “Amo usar o vibrador de ponto G e estimulação clitoriana. Quando usei pela primeira vez, estava namorando e foi maravilhoso. Depois disso e de todo o meu autodescobrimento sexual, o sexo e o que eu esperava disso, adquiriram novos significados”, conta.


Mais do que o descobrimento do próprio corpo, Maya ainda ressalta a atividade masturbatória como uma melhora para a ansiedade. “Sempre tive insônia e muitas crises de ansiedade e, durante um tempo, a masturbação era uma das poucas coisas que conseguia me acalmar. ”


Ela faz coro à Jeny sobre a experiência de uso. “É incrivelmente libertador. Você conhece seu corpo de formas que você achou que nunca ia conhecer, principalmente mulheres que estão num relacionamento há muito tempo, ou que não tiveram tantas experiências sexuais. É sobre você estar no controle de oferecer a si mesma uma sensação maravilhosa sem depender de ninguém”, conclui.


Juliana Fernandes* (nome fictício) tem 24 anos e é Engenheira Civil. Diante da impossibilidade de encontrar novos parceiros sexuais por conta da pandemia, ela encontrou no vibrador clitoriano o afago que precisava. “Sempre tive preguiça de me masturbar. O vibrador faz o trabalho, não preciso me preocupar e fico feliz. É uma ótima oportunidade de sair da zona de conforto e experimentar coisas novas”, destaca Juliana.


Assim como Jeny, ela usou tanto o utensílio que quebrou. Mas não tem problema – assim como a boleira, ela também está usando a ocasião para descobrir novos utensílios do mercado. 


Mesmo sem o toque de um parceiro, ela diz que não abre mão do brinquedinho e que só vê vantagens. “É o meu momento de auto-cuidado. Nós, mulheres, precisamos saber a sensação do gozo, para que a gente possa falar do que gosta e como gosta para os nossos parceiros e/ou parceiras”.



Quem Orienta


Para este assunto, não pode faltar, é claro, a palavra de uma especialista. É saudável? Há contraindicações? Em busca de respostas, conversamos com a sexóloga e terapeuta sexual, Virgínia Pelles.

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Foto: Pexels


Quais as vantagens do uso de brinquedos eróticos? E as desvantagens?


O acessório vem para potencializar esse momento de intimidade, tanto sozinha, quanto acompanhada. É um momento de prazer, de sair da rotina, mudar um pouco, dar uma apimentada no clima, para tornar mais prazeroso esse momento. A única desvantagem de uso é quando se está em casal e uma pessoa quer e a outra não. Não é legal quando, na relação, tentam coagir o uso de qualquer forma. O diálogo é fundamental!


Qual o limite do que é considerado “saudável” quanto ao uso desses brinquedos? Há alguma contraindicação?


Acredito que o limite de um acaba quando o outro começa, então, para as que usam acompanhadas, o respeito e consentimento é primordial para o prazer ser satisfatório. A contraindicação é quando se torna dependência. Quando só conseguimos ter prazer em função de um brinquedo e/ou produto, não é bom. Esse é o erro e é o limite. Aí se torna prejudicial à saúde física, mental e emocional.


Há alguma dica para que seja mais fácil encontrar os caminhos do prazer com o uso dos brinquedos eróticos?


Quando acompanhada, o primeiro passo é o diálogo. Conversar, falar, expor os pensamentos sobre o que acha. É importante uma forma de comunicação não-violenta, sem imposições. A forma de comunicar é o grande sucesso para a utilização de qualquer apetrecho erótico e também, até, para a realização de fantasias sexuais.


O que você diria às mulheres que ainda têm medo de explorar o próprio corpo?


Eu diria que vale muito mais a pena você permitir que seu corpo seja explorado. É gostoso, é saudável. A gente se limita a entender que não é bom, que não é legal. É bom se permitir sentir. É muito gostoso dar prazer, mas melhor ainda é sentir prazer. A gente só sente esse prazer quando a gente se permite sentir. Não vejo que a dificuldade está em se auto tocar. Vejo que a dificuldade é ainda maior em permitir ser tocada. Vejo muitas mulheres que têm uma tremenda habilidade em se tocarem e terem ótimas sensações sozinhas, mas não têm prazer na vida a dois. Portanto, muita conversa, autoconhecimento e paciência.



Para todos os gostos


Para quem deseja se aventurar no mundo dos brinquedos eróticos, opção é o que não falta e tem para todos os gostos e prazeres: vibrador clássico, vibrador bullet, dedeira vibratória, masturbador peniano, plug anal, sugador de clitóris...A preferência vai no gosto da freguesa. Confira algumas dicas:

Vibrador Bullet



Discreto, prático e prazeroso. Foto: Pexels


Queridinho das mulheres, o Bullet é o vibrador ideal para iniciantes. É discreto, tem um tamanho reduzido e promete muito prazer. Não é utilizado para penetração, mas garante um treme-treme maravilhoso no clitóris.



Vibrador Personal


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Vibrador Personal é o classicão. Foto: Pixabay


O vibrador Personal é o clássico do mundo dos vibradores. Há opções de modelos mais básicos ou com materiais diferenciados. Os tamanhos e espessuras também variam. Indicado para quem gosta tanto da penetração, como da estimulação externa.



Vibrador Ponto G


Vibrador para o Ponto G tem a pontinha curvada. Foto: Pexels

É similar ao vibrador Personal, no entanto, esse modelo apresenta a ponta um pouco mais curvada. A função? Destinada especificamente para o estímulo do Ponto G! Ótima opção para quem deseja descobrir ou explorar ainda mais essa área.



Vibrador Rabbit


Foto: Pexels

O Rabbit é um modelo de vibrador que possui uma divisão em ponta dupla, para quem gosta de explorar tudo ao mesmo tempo, com a estimulação clitoriana e penetração vaginal.



Sugador de Clitóris


Um dos queridinhos das mulheres. Foto: Pexels

Sucesso absoluto, o sugador de clitóris é movido pela tecnologia que trabalha com sucção por ondas de pressão, que proporciona prazer intenso. Ele também vibra e pulsa, com diferentes intensidades de vibração.



Plug Anal

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Plug anal. Foto: Pexels

Para quem curte sexo anal, o plug anal é uma ótima opção para estimular as terminações nervosas da região e para as mulheres que desejam curti-lo na dupla penetração: com o plug e com o parceiro.

Este conteúdo foi produzido em parceria com o Centro Universitário Faesa, com a supervisão da professora do curso de Jornalismo Emília Manente.