Além de ser fonte de renda, esse tipo de negócio ajuda nas questões sociais e ambientais

Por Natalia Vicente
06/07/2021 09:18

Nota aos leitores: O CineMarias oferece abertamente todo conteúdo de sua plataforma por sua contribuição diária para a agenda 2030. 


No mundo em que vivemos, a equidade de gênero no mercado de trabalho ainda é algo bem distante. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2012 a 2018, a desigualdade salarial é alarmante, tendo em vista que as mulheres ganham em média 20,5% a menos do que os homens no Brasil. Como forma de tentar diminuir essa diferença, o público feminino, buscando por mais oportunidade, está cada vez mais apostando no negócio próprio.


O empreendedorismo feminino cresceu muito nos últimos anos. Segundo a Global Entrepreneurship Monitor, hoje são mais de 30 milhões de empreendedoras ou cerca de 48,7% do mercado empreendedor composto por mulheres. E são vários os tipos que ele contempla: o empreendedorismo cooperado, público, social, informal, digital, socioambiental. E um dos destaques desse tipo de negócio é o empreendedorismo socioambiental. Mas afinal de contas, o que é esta forma de empreender?


Produção de cosméticos naturais. Foto: Pexels


É uma forma de empreendedorismo que tem como meta produzir bens e serviços que beneficiem a sociedade, cujo foco principal é a vertente social e ambiental, podendo também proporcionar uma melhora na condição de vida na sociedade por intermédio do capital social, da inclusão e emancipação de pessoas.


Muitas mulheres já fazem parte desse mercado, e os produtos que produzem e vendem são dos mais variados. Vai desde os de higiene pessoal voltado para o público feminino, como sabonetes, shampoos, condicionadores, biossorventes, kit talheres, ecobags, canudos de metal etc. Para ajudar essas empreendedoras, a startup Coriloys, que tem sua sede em Vitória, criou a Oly, que é uma marketplace digital que divulga e compartilha os produtos dessas mulheres. Nérila Moraes, gestora de marketing da plataforma, fala sobre a importância de potencializar essas empresárias. “Nós somos uma ponte entre elas e os clientes. Isso é para podermos fazer com que elas consigam vender muito mais para todo o Brasil”, revela.  


Sabonetes artesanais, escovas de bambu e óleos essenciais: produção sustentável. Foto: Pexels


Todos os produtos são feitos de forma sustentável para não agredir o meio ambiente. Nérila ressalta ainda a importância que isso tem em dois aspectos. “Os produtos que essas mulheres desenvolvem são feitos em uma cadeia de produção sustentável e segura, que não agride o corpo da mulher e muito menos o meio ambiente”, afirma.



De mulheres para mulheres


Anne Baseggio, proprietária da Anne Louise Store, é uma das empreendedoras que hoje tem seu negócio divulgado pela Olys. No ramo há dois anos, ela trabalha diretamente com produtos voltados para o público feminino. “Hoje vendo desde maquiagens a itens de decoração e perfumes artesanais, como velas aromáticas, sachê perfumado. Tudo isso para nossas clientes e os cantinhos preferidos delas”, revela.


Para Nérila o empreendedorismo feminino é a principal vertente que a Olys quer potencializar. Em um estudo que a startup fez de mercado, ficou entendido que as mulheres começam a empreender, principalmente, por uma questão de necessidade  para sustentar a casa ou porque quando elas se tornam mães, algumas empresas acabam demitindo-as após o período de licença maternidade. “As mulheres encontram no empreendedorismo uma fonte segura de se manter. A Oly entra nessa vertente fazendo com que o negócio delas seja mais potencializado, além de dar todo suporte na questão de plano de negócio e ser um canal de vendas para elas”, afirma.


Sustentabilidade e independência feminina. Foto: Pexels


A força e a garra do público feminino se desdobram nas mais variadas tarefas que são destinadas a elas desde que nascem. Além disso, elas lutam diariamente contra um sistema, que na maioria das vezes, é machista, opressor e pouco igualitário. É assim que cada vez mais as mulheres vão se reinventando, se desafiando, e ganhando espaço no mercado de trabalho. “Para se tornar uma empreendedora é preciso muita garra e muito foco nas ações do dia a dia. Não é fácil, mas se ela acredita e tem confiança no que ela está criando, e que tem capacidade, os problemas e as dificuldades do dia a dia podem ser vistos como oportunidades”, acredita Anne.


Este conteúdo foi produzido em parceria com o Centro Universitário Faesa, com a supervisão da professora do curso de Jornalismo Emília Manente.