Bolsistas apresentaram em aula, referências locais e internacionais de montagem cinematográfica

Por Sthefany Duhz
06/04/2021 16:02

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Na última semana de março, as bolsistas do CineMarias aprenderam sobre teorias e técnicas de edição e montagem fílmica. O curso Somos todas montadoras: introdução ao pensamento, teoria da montagem e técnicas de edição com 30h de imersão, foi lecionado pela realizadora audiovisual e editora, Carol Covre.

Durante a semana, Carol Covre ensinou sobre temas como a história da montagem e da edição, do cinema ao vídeo digital; a participação de mulheres na montagem; funções de montadores, editores e assistentes; ritmo, estilo e os padrões de representação através da montagem e edição; montagem de obras de ficção, documentário e vídeo-poesia. E também os softwares, programas e aplicativos de edição e exercícios práticos de montagem e edição.

Em uma das aulas, as jovens participantes trouxeram referências de filmes como vídeo-poesia, institucional-poético, séries e também temáticas sobre protagonismo de mulheres, diversidade, negritude, representatividade, entre outros. Confira algumas indicações:

Seja bem-vinda (2020) de Anna Mascarenhas e Olivia Lang

América das Outras (2020) de Ana Cangussu, Daniela Carinhanha e Larissa Fujinaga


O protagonismo da mulher indígena e o som utilizado no curta América das Outras, são os destaques que chamam a atenção da bolsista Géssica Lopes. “Eu assisti duas vezes e achei muito interessante esse recorte que elas fazem e, também, todo o debate e discussão sobre a questão de gênero, principalmente sobre a questão da mulher indígena. E pensando na temática do grupo, que é o visível e invisível, eu achei que casaria bem. O final também é bem interessante, traz o corporal. (...) O som é muito forte, traz um impacto muito grande”, comenta Géssica.

Amor e Sorte: as relações em tempos de pandemia (2020) de Jorge Furtado/Globoplay


Anne with an E / Anne com E (2017) de L. M. Montgomery, Moira Walley-Beckett, Alina Mankin, Kathryn Borel, Naledi Jackson/Netflix


Para a aluna Ingrid Nascimento, a série Anne with an E se destaca na utilização dos planos-detalhe. “Eu acho que a gente pode tirar como referência os planos-detalhe. Na nossa narrativa, no nosso roteiro, a gente vai usar muito o plano detalhe para o plano aberto e, logo depois, o plano detalhe para o bolso, a mão ou o notebook. Então eu acho que essa referência faz muito isso”, explica Ingrid.

Sobre a carreira de montagem e edição de cinema e audiovisual, Carol Covre deu algumas dicas valiosas sobre negociações de valores para as futuras cineastas. “A Ancine, Agência Nacional do Cinema, e os sindicatos de Cinema e Audiovisual, disponibilizam uma tabela de valores. Todo ano é lançada uma nova tabela e, nessa tabela, geralmente nós, montadoras, recebemos por semana de trabalho. (...) E na prática, depende do orçamento do filme. Então, por exemplo, sempre que alguém me chama para um trabalho, eu faço o valor em cima da tabela, e aí eu negocio com a produção do filme quanto eles podem me pagar” explica a montadora.


Crédito: Acervo Pessoal/Carol Covre.

Carol Covre é editora de filmes e vídeos há 10 anos. Realizou trabalhos autorais como diretora de filmes, o que resultou em exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Participou da edição do premiado documentário A Batalha do Passinho (2012), além de outros documentários de longa metragem como Meu Cabelo Afro (sobre um grupo de Teatro do Oprimido).

Ministrou também oficinas de montagem de filmes em escolas municipais do Rio de Janeiro pelo Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP) e na ONG Caixa de Surpresa, em Bangu. É mestra em Comunicação Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialização em Montagem de filmes pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

Na próxima semana, as futuras cineastas finalizam o lab-imersivo com a oficina de filmes-poesia “Existo porque resisto”. A oficina será ministrada pela assistente de direção e produtora executiva Liliana MontSerrat, e a jornalista e realizadora audiovisual Luana Laux. A proposta é desenvolver quatro filmes sobre relatos de misoginia, assédio e violência registrados por mulheres na Lei Maria da Penha e também a partir de experiências pessoais.

O CineMarias é uma realização do Instituto Vida Nova (Movive) e Puri Produções, com produção da Lúdica Audiovisual e apoio do Centro Universitário Faesa e da Agenda Mulher. O projeto tem recursos da Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), direcionados pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.