Reunimos quatro passos primordiais para a prevenção e o combate à violência contra a mulher, da sensibilização ao papel da mídia

Por Sthefany Duhz
07/02/2021 11:32

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A pandemia do novo coronavírus tem deixado muitas marcas. Neste período, há ainda uma pandemia silenciosa acontecendo, que são as diferentes violências contra mulheres. Segundo levantamento do portal Brasil de Fato, uma mulher foi morta a cada nove horas durante o período de isolamento social.

No Espírito Santo, no ano passado foram registrados a média de duas mulheres mortas por mês por feminicídio, de acordo com o jornal A Gazeta. Isso sem contar a subnotificação e ausência de dados sobre raça, orientação sexual, identidade de gênero, as tentativas de feminicídio e os erros de tipificação do crime.

Diante desses dados, elencamos quatro passos primordiais para a prevenção e o combate ao feminicídio:

Sensibilização e capacitação de profissionais
É extremamente importante a sensibilização e capacitação de profissionais da saúde, policiais, defensores públicos e todos profissionais que atendam mulheres vítimas de violência. É necessário humanizar o atendimento e acolhimento no qual permita a mulher sentir-se segura para seguir com a denúncia. Há relatos de mulheres que não foram bem atendidas e, por isso, não voltaram a procurar o serviço. É um risco à saúde e à garantia de vida dessa mulher.

Atendimento de qualidade e amparo
Nesse momento a mulher já fez a denúncia e agora precisa de outros cuidados. É a fase que se supera a chamada “rota crítica” e há a necessidade do atendimento de qualidade. Segundo especialistas a “rota crítica” é a trajetória que a mulher percorre em busca do atendimento do Estado, vivenciando sozinha uma série de barreiras, desde a ida aos diversos mecanismos de denúncia, a frequência com tem que contar o seu relato de violência e até mesmo o despreparo dos profissionais que realizam o atendimento que deveriam dar atenção e acolhimento e, muitas vezes, reproduzem discriminações.

Este também é um momento de valorização da memória das vítimas e a reparação de quem sofreu a violência. É necessário um apoio psicológico, social e de programas de geração de renda, para que a mulher tenha a chance e seus direitos garantidos de recomeçar a sua vida, agora sem as amarras de seu antigo companheiro.

Educação e conscientização da população
Na nossa sociedade com o machismo e a misoginia enraizados, a violência contra mulheres começa com as meninas, desde muito pequenas. Segundo o dossiê de prevenção da violência sexual e da violência pelo parceiro íntimo contra a mulher, realizado pela ONU, uma das estratégias de prevenção primária para a violência praticada pelo parceiro íntimo e para a violência sexual são as intervenções educacionais e de conscientizações durante a primeira infância e os primeiros anos da adolescência. É atenção, cuidado e conscientização com crianças e adolescentes sujeitos a maus-tratos infantis e/ ou expostos à violência pelo parceiro íntimo. Também é uma estratégia o treinamento nas escolas para ajudar as crianças a reconhecerem e evitarem potenciais situações sexualmente abusivas.

Uma mídia consciente e responsável
Os sistemas de mídias de uma forma geral tem um papel importante no debate cotidiano e na cultura de nossa sociedade. Por meio da comunicação é possível promover ações conscientes que desnaturalizem as desigualdades de gênero e construa novas relações não violentas, o que afetará diretamente na taxa de feminicídio do Brasil, de acordo com o Dossiê Feminicídio, da agência Patrícia Galvão. Temas como culpabilização da vítima, romantização da violência, termos inapropriados e descontextualização são situações nas quais os sistemas midiáticos podem contribuir de maneira consciente e responsável para a nossa sociedade.