Público contou com oito horas de discussões sobre enfrentamento à violência contra mulher e protagonismo feminino. Programação vai até sexta-feira (12)

Por Sthefany Duhz
09/03/2021 15:18

Nota aos leitores: O CineMarias oferece abertamente todo conteúdo de sua plataforma por sua contribuição diária para a agenda 2030. 

“Se a desigualdade entre homens e mulheres é uma construção social, queremos olhar para nossas próprias histórias e construir a mudança” é o que diz parte do manifesto CineMarias, apresentado na abertura do Seminário
A tela por elas.

No Dia Internacional da Mulher, abrimos o nosso lab-imersivo com muita potência. E quem conduziu essa abertura foi a jornalista Karolina Lopes. Contamos ainda com a participação da subsecretária de Estado de Políticas Culturais, Carolina Ruas, e da diretora do Instituto Movive, Cristina Puppim. 

No workshop de abertura, Eliza Capai falou sobre a história da mulher no cinema, sua própria trajetória e também de representatividade. Foram três horas e meia de muita história, potência e aprendizado.

“Quem faz filme no mundo? Lá no início, a quantidade de homens e mulheres que faziam eram metade mulheres e metade homens. Quando o cinema começa a dar dinheiro, começa a virar uma indústria, o que acontece? Os homens entraram e as mulheres perderam espaço. Até pouco tempo não se falava nesse assunto. Quem que dirige? Quem faz o filme? Mulheres que fazem filmes nem chegam a ser indicadas ao Oscar. Por que isso?” questiona Eliza.

A trajetória de Eliza no cinema é de muita resistência e coragem. “Eu trabalhava para me sustentar e depois eu ia fazer filmes, meus dois primeiros filmes foram feitos dessa forma. Só em 2015 que eu fiz com financiamento de política pública”, compartilha a documentarista. Capai dirigiu o documentário Espero tua (Re)volta (2019), premiado internacionalmente, que relata o movimento estudantil em 2015 e suas ocupações em escolas estaduais por todo Brasil.

A documentarista também exibiu o filme “O Dia de Jerusa”, de Viviane Ferreira, para as 60 bolsistas do CineMarias e o público que acompanhou a transmissão online. “Boa parte de quem faz cinema é de classes mais altas, de homens que há muito tempo estão nesses lugares. E eles vão reproduzir o mundo do homem branco hétero. Quando a gente vê um filme todo protagonizado por pessoas negras, a gente se alerta para isso”, comentou Eliza durante o workshop.

Deixa a mina falar!
A roda de bate-papo Deixa a mina falar!, conduzida por Deb Schulz e Mery Silva, do coletivo Nação Mulher ES, e pela empreendedora e sargenta Manuela Amaral, contou com relatos pessoais, dinâmicas de bate-papo e interação e as hashtags #DeixaAMinaFalar #MeuAmigoSecreto e #PandemiaInvisível para fomentar o debate sobre enfrentamento da violência contra mulher e também do protagonismo de narrativas femininas.

“Quando a gente tem o apoio uma da outra, as coisas ficam mais fáceis. Mas a gente não pode botar o peso do apoio só nas mulheres. A gente tem que cobrar da sociedade que sejam criadas nossas redes de apoio. O Estado tem que prover isso. E é aí que entra o conhecimento da legislação” comentou Manuela Amaral durante a dinâmica.

Roda de bate-papo Deixa a mina falar! com Deb Schulz e Mery Silva da Nação Mulher ES e Manuela Amaral empreendedora e pocial

Um ano após o início da pandemia do novo coronavírus, Mery Silva mencionou sobre as demandas de mulheres que estão passando por esse momento acumulando funções e sem contar com apoio financeiro. 

"Em 2021 o reflexo vai ser muito grande do que se passou 2020. [...] O que não foi tratado ano passado no ambulatório, esse ano vai ser tratado como emergência. Muitas mulheres ficaram desempregadas. Hoje não temos mais o auxílio, e como vai ser? A doença continua aí, os índices estão altíssimos,” comenta. 

O movimento #PandemiaInvisível também ganhou destaque no bate-papo. Através da publicação da hashtag com imagem de cor roxa em suas redes sociais, representando a luta feminina, mulheres chamaram atenção para a violência doméstica agravada durante o isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus.

Outra hashtag que ganhou destaque na conversa foi #MeuAmigoSecreto. Esse foi um movimento que começou em 2015 por mulheres que publicaram em suas redes sociais relatos de machismo vivenciados ou presenciados em seus círculos familiares e de amizade. 

"A hashtag #MeuAmigoSecreto é um gatilho pois me remete sobre primos, tios, família. Eu senti vontade de falar na época sobre a minha vida. Me aciona gatilhos da minha infância, da minha adolescência. Eu já ouvi: ‘você era safadinha naquela época’. ‘Você só queria brincar com seus primos’. As hashtags acho que vêm para isso, para nos dar um pouco de voz. Eu tenho certeza que vai aparecer uma mulher para estender a mão, querer saber, ouvir e falar a sua história", comentou Deb Schulz.

A programação do Seminário A tela por elas segue até sexta-feira, 12 de março, com parte da programação aberta ao público. As transmissões são realizadas pelo site do CineMarias e também pelo YouTube.

O CineMarias é uma realização do Instituto Vida Nova (Movive) e Puri Produções, com produção da Lúdica Audiovisual e apoio do Centro Universitário Faesa e da Agenda Mulher. O projeto tem recursos da Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), direcionados pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Equipe CineMarias

Serviço

CineMarias
Seminário A tela por elas
Realização: de 8 a 12 de março
Local: YouTube CineMarias // www.cinemarias.com.br