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Construção poética do feminino: das dores às potências

Bolsistas do CineMarias participaram de roda de conversa online com relatos pessoais e potências do “ser mulher”. Veja como foi

Por Sthefany Duhz
09/04/2021 18:00

Nota aos leitores: O CineMarias oferece abertamente todo conteúdo de sua plataforma por sua contribuição diária para a agenda 2030.

O CineMarias realizou, ontem (08), uma roda de conversa online com o tema Construção Poética do Feminino, com a psicanalista e cientista social Lohaine Jardim Barbosa, para as alunas bolsistas do laboratório imersivo audiovisual. A ação teve como proposta sensibilizar a reflexão sobre as vivências de mulheres em suas construções de identidade social e psíquica.

O encontro proporcionou momentos de escuta, de partilha e de discussões sobre o ideal de mulher que é socialmente aceito. “A gente discutiu um pouco sobre o que é ser mulher nessa sociedade hoje, que se circunscreve dentro de um de um ideal que é pesado, que é carregado e que convive com muitas formas de violência, muitas formas de silenciamento, e de aprisionamento do desejo da mulher”, explicou Lohaine.

Para a aluna Kelli Pereira, um dos destaques da roda de conversa foi a reflexão sobre os diferentes ciclos vividos pelas mulheres e como isso é refletido na sociedade. “É uma discussão que eu gosto muito. Falando especificamente de mulheres cisgêneras, a gente tem toda uma questão biológica cíclica. Algumas comunidades tradicionais se baseavam nas fases da mulher e hoje isso não é respeitado. Por isso essa demonização da TPM, do período fértil. E falando sobre capitalismo, o trabalho não está preparado para nossas mudanças. A mulher tem as fases mais férteis e mais criativas, mas tem momentos também que não. E o mundo não está preparado para lidar com isso”, comentou. A bolsista Natália dos Santos complementa: “infelizmente, ser mulher hoje em dia é seguir puramente uma construção social criada”.


Crédito: Reprodução CineMarias. Exibição do filme Carne no encontro online Construção Poética do Feminino.

O encontro também foi marcado pela exibição do curta-metragem Carne (2020), de Camila Kater (clique aqui para assistir na íntegra!). A animação, que já foi selecionada para mais de 250 festivais pelo mundo, apresenta diferentes fases da vida de mulheres, narrada por cinco vozes femininas que relatam vivências pessoais em relação ao corpo desde a infância até a velhice.

“Elas me ouviram e se colocaram bastante. Falaram da importância de seguir o seu desejo, de fazer aquilo que é libertador e de como a arte tem esse potencial. Como a arte é um caminho possível para falar desse feminino que é um tabu”, também comentou Lohaine sobre a conversa com as participantes.

A programação do laboratório imersivo audiovisual está na reta final. As bolsistas já estudaram sobre roteiro, linguagem cinematográfica, montagem e edição e agora seguem na última etapa com a oficina Existo porque resisto, ministrada pela assistente de direção e produtora executiva Liliana MontSerrat, e a jornalista e realizadora audiovisual Luana Laux.