No Dia Internacional da Mulher, ação pretende espalhar pelas redes sociais a cor roxa, representando a luta feminina, acompanhada da hashtag que denuncia o agravamento da violência doméstica no período de isolamento social


08/03/2021 11:49

Nota aos leitores: O CineMarias oferece abertamente todo conteúdo de sua plataforma por sua contribuição diária para a agenda 2030. 

Em 2020, no dia 02 de junho, o mundo inteiro viu as redes sociais serem tomadas por imagens pretas com a
hashtag #BlackoutTuesday (“terça-feira do apagão", em tradução livre). A manifestação virtual comoveu pessoas em solidariedade aos protestos do movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) nos Estados Unidos. Em 2021, quase um ano após o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, a cor preta dá lugar ao roxo com a hashtag #PandemiaInvisível, para marcar o Dia Internacional da Mulher.

A nossa ação pretende chamar atenção para a violência doméstica agravada durante o isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus. A inspiração veio a partir de uma declaração da diretora executiva da ONU Mulheres e vice-secretária geral das Nações Unidas, Phumzile Mlambo-Ngcukada: “Violência contra as mulheres e meninas é pandemia invisível. [...] A violência que está emergindo agora como uma característica sombria dessa pandemia é um espelho e um desafio para os nossos valores, nossa resiliência e humanidade compartilhada. Devemos não apenas sobreviver ao coronavírus, mas emergir renovadas com as mulheres como uma força poderosa no centro da recuperação", disse em texto publicado pelo site ONU Mulheres Brasil em abril de 2020.

Na campanha #PandemiaInvisível, o roxo representa a luta (e o luto) da mulher contra a violência. A cor é uma variação do lilás, que está presente como símbolo feminista desde o início do século passado com o movimento das sufragistas inglesas pelo direito ao voto, mas que também pode ser entendido como uma mistura entre o rosa e o azul - simbolizando a  igualdade entre mulheres e homens.

“O roxo também é uma triste representação da violência quando associamos a cor às marcas na pele das mulheres agredidas. Sabemos que a maioria dos crimes contra mulheres e crianças ocorre dentro de casa e se dá por agressores que convivem com as vítimas. Precisamos ‘meter a colher’ de uma vez e mostrar que não podemos mais tolerar a violência de gênero”, afirma Aline Alves, jornalista e integrante do CineMarias.

Violência doméstica e a pandemia
Somente no Espírito Santo, local que sedia o coletivo CineMarias, em 2020 foram registradas 5.072 medidas protetivas de urgência, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo. A maior parte dos registros foram na Delegacia de Plantão e no município de Vila Velha. Nos levantamentos sobre feminicídio, o Observatório da Segurança Pública registrou 26 mortes. 

Segundo a advogada e idealizadora do Coletivo Juntas e Seguras, Renata Bravo, é necessário identificar e analisar quais são as violências sofridas por mulheres na pandemia.

“Houve um menor índice de feminicídio em 2020, porém houve um crescimento nos casos de prisões e de violência doméstica. Nós queremos salvar vidas e também precisamos analisar essas outras violências. Fazemos uma relação com a pandemia, pois mais mulheres estavam dentro de casa junto com seus maridos e sofrem com outros tipos de violência”, explica Renata Bravo.

Na pandemia, as mulheres também sofrem outros impactos físicos e emocionais, uma vez que são as mais afetadas pelo trabalho não remunerado. Devido à saturação dos sistemas de saúde e ao fechamento das escolas, as tarefas de cuidado doméstico recaem principalmente sobre elas. Além disso, a capacidade das mulheres de garantir seus meios de subsistência também foi altamente afetada pela pandemia e esse impacto econômico é mais um agravante para a violência doméstica.

CineMarias: mulheres protagonistas!
O CineMarias surge como um projeto de sensibilização e capacitação audiovisual que propõe trabalhar de forma poética e artística a reflexão e a memória sobre a mazela social que é a violência contra a mulher e a falta de representação feminina no cinema e na TV.

Com ações que objetivam experiências imersivas, o CineMarias atua na produção audiovisual e de conteúdo, com cursos, oficina e debates sobre novas narrativas construídas sobre e por mulheres nas mídias e nos diferentes espaços de poder.

A ação cultural é uma realização do Instituto Vida Nova (Movive) e Puri Produções, com produção da Lúdica Audiovisual e apoio do Centro Universitário Faesa e da Agenda Mulher. O projeto tem recursos da Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), direcionados pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.